sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

É cantando que se aprende

Pobres compositores. Provavelmente não imaginam o quanto suas obras estão sendo bombardeadas por cantores como eu e você que erramos as letras de música.
Coitados ...Anos de composição para acabar dessa maneira. Conheçam as pérolas encontradas na internet:

Noite de prazer, de Cláudio Zoli
"... Na madrugada a vitrola, rolando um blues, tocando B. B. King sem parar .."

Versão moda praia:
“na madrugada a vitrola rolando um blues, trocando de biquíni sem parar...".

Oceano , de Djavan
" Amar é um deserto e seus temores..."

Versão Multicor:
"Amarelo deserto e seus tremores",

Melô do marinheiro, Paralamas do Sucesso
“Entrei de gaiato no navio, entrei, entrei por engano..”


Versão Hãn??!
“Entre de caiaque num navio...”


Whisky à Go-Go ,Roupa Nova
“E eu perguntava Do you wanna dance...”

Versão globalizada
“eu perguntava do you holandês..."

Hey Joe, O Rappa
“Também morre quem atira”

Versão Super família
“Não demora minha tia.."

Homem Primata , dos Titãs
“Homem primata, capitalismo selvagem...”

Versão Killer
“Homem que mata, capitalismo selvagem...”


Teto de Vidro, Pitty
“Quem não tem teto de vidro, que atire a primeira pedra..”

Versão Abaixo o controle de natalidade
"Quem não tem quatorze filhos que atire a primeira pedra"

Boa Sorte , Vanessa da Mata
“Tudo o que quer de mim, irreais”)

Versão cambial

“Tudo que quer de mim, em reais”


Tenha um ótimo final de semana!

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Voando para longe

Imagem: Salvador Dali

Voarei para longe
Para transformar
Para dançar com vestidos coloridos
Para a rocha onde arrancamos nossas mágoas

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

A vaca


Trecho de RELATO DE OCORRÊNCIA, de Rubem Fonseca

Que coisa, diz Ivonildo, depois de se debruçar na amurada da ponte e olhar os bombeiros e os policiais embaixo. Em cima da ponte, além do motorista de um carro da Polícia Rodoviária, estão apenas Elias, Marcílio e Ivonildo.
A situação não anda boa não, diz Elias olhando para a vaca. Ele não consegue tirar os olhos da vaca.
É verdade, diz Marcílio.
Os três olham para a vaca.
Ao longe vê-se o vulto de Lucília, correndo.
Elias recomeçou a cuspir. Se eu pudesse eu também era rico, diz Elias. Marcílio e Ivonildo balançam a cabeça, olham para a vaca e para Lucília, que se aproxima correndo. Lucília também não gosta de ver os dois homens. Bom dia dona Lucília, diz Marcílio. Lucília responde balançando a cabeça. Demorei muito?, pergunta, sem fôlego, ao marido.
Elias segura o facão na mão, como se fosse um punhal; olha com ódio para Marcílio e Ivonildo. Cospe no chão. Corre para cima da vaca.
No lombo é onde fica o filé, diz Lucília. Elias corta a vaca.

Este conto está no livro Lúcia McCartney.

Quero tudo !

Hoje quero tudo para mim.
Quero presentes, atenção, novidades, elogios, surpresas, proteção.
Quero que façam minhas unhas, escovem meu cabelo, comprem coisas sem eu pedir, surpreendam-me!
Mas só pra mim.
Não quero dividir chocolate, nem esperar a vez.
Quero o mundo dentro de uma caixinha, limpo e sem defeitos
Quero hoje e agora!
Hoje é meu dia de egoísta carente que quer tudo!

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Ler algo novo, SEMPRE!

Uma das orientações que recebi na última Oficina de Escritores que me marcou muito foi "leia de tudo um pouco, de todos os estilos, de todas as épocas, de gêneros diferentes do que você escreve".
E dentro dessas características estava esse escritor classe A: Edgar Allan Poe. Um autor muito bem cotado e que eu não havia lido ainda. Pois sim... segui os conselhos e ontem li os contos "Os assassinatos na Rua Morgue" e "A carta roubada" e adorei!
Apesar de serem produções curtas, aprendi a gostar desse escritor e vou buscar outras obras dele.

DICA: PORTAL EDGAR ALLAN POE


terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Uma carta especial


Recebi uma carta de mim mesma. A correspondência dizia que eu estava com 86 anos e que queria muito falar algumas coisas para mim.
A remetente escreveu lições sobre a vida.Dicas do que me espera no futuro. Entre alguns conselhos sobre amor, trabalho, beleza, saúde e família, estava uma frase com caligrafia trêmula e marcas de umidade,que creio eu serem de lágrimas, e que simplesmente dizia:
Por favor, pare de encontrar respostas pois elas te encontrarão. Até esse dia, simplesmente viva!

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Novidades !!! Não perca!

Atenção, atenção !!!

Caros amigos:

Já está no ar a edição de Fevereiro do OLHAR ALTERNATIVO com minha coluna de literatura.

Confira

www.olharalternativo.com

Entre e se cadastre

Bolha de sabão

TRECHO DE:
A estrutura da bolha de sabão , de Lygia Fagundes Telles

Mas e a estrutura? ‘A estrutura’, ele insistia. E seu gesto delgado de envolvimento e fuga parecia tocar mas guardava distância, cuidado, cuidadinho, ô! a paciência. A paixão. No escuro eu sentia essa paixão contornando sutilíssima meu corpo. Estou me espiritualizando, eu disse e ele riu fazendo fremir os dedos-asas, a mão distendida imitando libélula na superfície da água mas sem se comprometer com o fundo, divagações à flor da pele, ô! amor de ritual sem sangue. Sem grito. Amor de transparências e membranas, condenado à ruptura.

Este conto está no livro A estrutura da bolha de sabão (1978)
Uma ótima semana a todos!

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Como subir uma escada

Hoje, 12 de fevereiro de 2009: 25 anos da morte de Júlio Cortázar
Meu conselho: leia as obras dele!
Instruções para subir uma escada
Por
Julio Cortázar,
De Histórias de Cronópios e de Famas

Ninguém terá deixado de observar que freqüentemente o chão se dobra de tal maneira que uma parte sobe em ângulo reto com o plano do chão, e logo a parte seguinte se coloca paralela a esse plano, para dar passagem a uma nova perpendicular, comportamento que se repete em espiral ou em linha quebrada até alturas extremamente variáveis. Abaixando-se e pondo a mão esquerda numa das partes verticais, e a direita na horizontal correspondente, fica-se na posse momentânea de um degrau ou de um escalão. Cada um desses degraus, formados, como se vê, por dois elementos, situa-se um pouco mais acima e mais adiante do anterior, princípio que dá sentido à escada, já que qualquer outra combinação produziria formas talvez mais bonitas ou pitorescas, mas incapazes de transportar as pessoas do térreo ao primeiro andar.

As escadas se sobem de frente, pois de costas ou de lado tornam-se particularmente incômodas. A atitude natural consiste em manter-se em pé, os braços dependurados sem esforço, a cabeça erguida, embora não tanto que os olhos deixem de ver os degraus imediatamente superiores ao que se está pisando, a respiração lenta e regular. Para subir uma escada começa-se por levantar aquela parte do corpo situada em baixo à direita, quase sempre envolvida em couro ou camurça e que salvo algumas exceções cabe exatamente no degrau. Colocando no primeiro degrau essa parte, que para simplificar chamaremos pé, recolhesse a parte correspondente do lado esquerdo (também chamada pé, mas que não se deve confundir com o pé já mencionado), e levando-a à altura do pé faz-se que ela continue até colocá-la no segundo degrau, com o que neste descansará o pé. (Os primeiros degraus são os mais difíceis, até se adquirir a coordenação necessária. A coincidência de nomes entre o pé e o pé torna difícil a explicação. Deve-se ter um cuidado especial em não levantar ao mesmo tempo o pé e o pé.)

Chegando-se dessa maneira ao segundo degrau, será suficiente repetir alternadamente os movimentos até chegar ao fim da escada. Pode-se sair dela com facilidade, com um ligeiro golpe de calcanhar que a fixa em seu lugar, do qual não se moverá até o momento da descida.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

O amor supera tudo?


Imagem
Dor
Silêncio
Mágoa
Amor ?

Desafio

Desafio CIDADES/ Florianópolis - SC - Brasil

Este foi um desafio da XANA e tem as seguintes regras:
1. Escolher o nome da cidade, actual ou da antiguidade, cujo nome ache o mais bonito entre todos os nomes de cidade que você conhece.
2. Postar uma foto dessa cidade
3. Escrever algo, ou alguma referencia sobre a cidade escolhida.
4. Indicar três pessoas para fazerem a mesma coisa.
Florianópolis:
Chamada de ILHA DA MAGIA, essa cidade é a capital de Santa Catarina, e fica ao sul do Brasil.
Já estive lá várias vezes: a passeio, a trabalho.. de passagem.. e no último reveillon passei a virada lá. Bem pertinho da Ponte Hercílio Luz (da foto).
Para quem gosta de praia, esse é um ótimo lugar para se visitar.
Passo o desafio para :


terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Link me !!!


Agora você pode deixar o link de CARTAS AO AVESSO no seu blog.
Olhe no menu da direita e cole o código abaixo de LINK ME nas edições Html do seu blog.
Fico grata pelo carinho e comentários de amigos que passam por aqui.
Beijos
Beatriz

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Discussão: Escritores precisam de aplauso?

Texto de Isabel Furini:
TRIBOS URBANAS: OS ESCRITORES
"(...)Essa tribo urbana, cujo crescimento exagerado está chamando a atenção dos sociólogos, está sempre em pé de guerra. Nenhum escritor suporta outro escritor.

Diversos tipos compõem essa tribo: bipolares, paranóicos, aolcoólatras, sonhadores, obsessivos, compulsivos, vampiros, lobisomens e alguns canibais ainda não identificados. E se alguém normal entra na tribo, é considerado intruso.

No estandarte dessa tribo podemos ver um pavão. O pavão gosta de mostrar sua cauda irisada e os escritores - sejam contistas, romancistas, poetas, cronistas e outros - estão sempre tentando dar destaque a seus trabalhos. Nas festas de aniversários, casamentos e até em velórios, só falam do que acabaram de escrever. Quando participam de um
concurso e não são vencedores, esbravejam: - Meu trabalho era o melhor. E eu não
ganhei nem uma Menção Honrosa?!!!

A vaidade é a marca registrada da tribo. E se um colega se destaca? Então é guerra!.. O escritor pega facas, adagas, espingarda ou metralhadora, o que tiver a seu alcance, e parte para a luta. Começa sorrateiramente. Primeiro procura criar dúvidas sobre a capacidade do outro escritor. (Ah!.. Nem vale a pena ler. Seus textos são tão superficiais!.. Ele estã vendendo bem, mas não é bom escritor, não. É produto da mídia).

O problema é que ninguém escolhe ser escritor. Escrever ou é fase - como acne em rosto de adolescente - ou é destino. E se é seu destino meu amigo, desculpe dizer isto, mas você está literalmente ferrado. Escritor precisa de aplausos, de reconhecimento... Por que? Porque o escritor se expõe. Sempre! E sente medo. Sempre!

Coitado do escritor! Quando ignorado, sofre. Proclama sua genialidade em público, mas na solidão surge a dúvida. E se não for capaz de criar uma verdadeira obra de arte?..

Reconhecido pela crítica sabe que não pode errar. Escritor que erra é castigado com o chicote de Átila, o Huno. E quem não tem medo do chicote de Átila? E o chicote não é só propriedade da tribo dos críticos, não! É também utilizado com destreza por parentes, amgios duvidosos, vizinhos, colegas de trabalho e outras pessoa sque não suportam o
êxito alheio e estão sempre esperando o momento oportuno para dar uma chicoteada (ou um pé-na-bunda) em escritor que tem a coragem de mostrar sua obra.

Então, se o destino colocou você na tribo dos escritores... fazer o quê? Coragem, meu amigo, coragem!..
Fonte: OVERMUNDO
Agora vamos a discussão: Será realmente que todo escritor necessita de aplauso? Ou será que escreve porque sua alma precisa disso e por consequencia recebe elogios (que também são bem vindos).
Deixe sua opinião:

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Insônia: a visita indesejada

03:00 Sábado

Como lidar com insônia?

Ler
Massagear o pé
Comer
Escrever no diário antigo
Rever suas metas de vida
Ler
Andar pela casa
Tomar remédio para dormir
Rascunhar poemas
Ir para internet
Atualizar blog
Organizar gavetas
Tomar banho
Provar roupas
Pentear os cabelos
Deitar e dormir

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Cantigas infantis:as crianças mudaram!

CONVERSA DE 2 CRIANÇAS:

- E aí, véio?
- Beleza, cara?
- Ah, mais ou menos. Ando meio chateado com algumas coisas.
- Quer conversar sobre isso?
- É a minha mãe. Sei lá,ela anda falando umas coisas estranhas, me botando um terror, sabe?
- Como assim?
- Por exemplo: há alguns dias, antes de dormir, ela veio com um papo doido aí. Mandou eu dormir logo senão uma tal de
Cuca ia vir me pegar.
Mas eu nem sei quem é essa Cuca, pô. O que eu fiz pra essa mina querer me pegar? Você me conhece desde que eu nasci, já me viu mexer com alguém?
- Nunca.
- Pois é. Mas o pior veio depois. O papo doido continuou. Minha mãe disse que quando a tal da Cuca viesse, eu ia estar sozinho, porque meu pai tinha ido pra roça e minha mãe passear. Mas tipo, o que meu pai foi fazer na roça? E mais: como minha mãe foi passear se eu tava vendo ela ali na minha frente? Será que eu sou adotado, cara?
- Sabe a sua vizinha ali da casa amarela? Minha mãe diz que ela tem uma hortinha no fundo do quintal. Planta vários legumes. Será que sua mãe não quis dizer que seu pai deu um pulo por lá?
- Hmmmm. pode ser. Mas o que será que ele foi fazer lá? VIXE! Será que meu pai tem um caso com a vizinha?

- Como assim, véio?
- Pô, ela deixou bem claro que a minha mãe tinha ido passear. Então ela não é minha mãe. Se meu pai foi na casa da vizinha, vai ver eles dois tão de caso. Ele passou lá, pegou ela e os dois foram passear. É isso, cara. Eu sou filho da vizinha. Só pode!

- Calma, maninho. Você tá nervoso e não pode tirar conclusões precipitadas.
- Sei lá. Por um lado pode até ser melhor assim, viu? Fiquei sabendo de umas coisas estranhas sobre a minha mãe.
- Tipo o quê?
- Ela me contou um dia desses que pegou um
pau e atirou em um gato.
Assim, do nada. Puta maldade, meu! Vê se isso é coisa que se faça com o bichano!
- Caramba! Mas por que ela fez isso?
- Pra matar o gato. Pura maldade mesmo. Mas parece que o gato não morreu.
- Ainda bem. Pô, sua mãe é perturbada, cara.
- E sabe a Francisca ali da esquina?
- A Dona Chica? Sei sim.
- Parece que ela tava junto na hora e não fez nada. Só ficou lá,
paradona, admirada vendo o gato berrar de dor.
- Putz grila. Esses adultos às vezes fazem cada coisa que não dá pra entender.
- Pois é. Vai ver é até melhor ela não ser minha mãe, né? Ela me
contou isso de boa, cantando, sabe? Como se estivesse feliz por ter feito essa selvageria. Um absurdo. E eu percebo também que ela não gosta muito de mim. Esses dias ela ficou tentando me assustar, fazendo um monte de careta. Eu não achei legal, né. Aí ela começou a falar que ia chamar um boi com cara preta pra me levar embora.

- Nossa, véio. Com certeza ela não é sua mãe. Nunca que uma mãe ia fazer isso com o filho.
- Mas é ruim saber que o casamento deles é essa zona, né? Que meu pai sai com a vizinha e tal. Apesar que eu acho que ele também leva uns chifres, sabe? Um dia ela me contou que lá no bosque do final da rua mora um cara, que eu imagino que deva ser muito bonitão, porque ela chama ele de 'Anjo'. E ela disse que o tal do Anjo roubou o coração dela. Ela até falou um dia que se fosse a dona da rua, mandava colocar ladrilho em tudo, só pra ele pode passar desfilando e tal.

- Nossa, que casamento bagunçado esse. Era melhor separar logo.

- É. só sei que tô cansado desses papos doidos dela, sabe? Às vezes ela fala algumas coisas sem sentido nenhum. Ontem mesmo veio me falar que a vizinha cria perereca em gaiola, cara. Vê se pode? Só tem louco nessa rua.

- Ixi, cara. Mas a vizinha não é sua mãe?

- Putz, é mesmo! Tô ferrado de qualquer jeito.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Não sabemos discutir


Não sabemos discutir.
Essa é a conclusão que cheguei após ver tantos aspectos polêmicos em pauta na sociedade e tantos desvios do assunto como vemos nos meios de comunicação.
E é uma questão de argumentação. Começamos com um ponto e vamos parar do outro lado do mundo.
Por exemplo, aqui em minha cidade, esta em discussão a diminuição da maioridade penal em função de crimes praticados por menores recentemente.
O problema é que iniciam a conversa falando dos menores, e desviam para as drogas, a família, o governo, a tia do vizinho da prima e o que estávamos falando mesmo?
Não se vai a fundo. Não se discutem os projetos em andamento.. trâmites legais, as possíveis consequencias, etc. Isso porque não sabemos discutir com coerência, não focamos o discurso em um ponto somente.






segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Mar

Aproveitando que hoje estão falando nas divindades do mar...queria deixar a minha impressão sobre ele..
De frente para o mar, me sinto mais gente. Como parte desse planeta imenso.
A ideia de pertencer ao mundo!
Areia, mar, eu