segunda-feira, 30 de junho de 2008
terça-feira, 24 de junho de 2008
segunda-feira, 16 de junho de 2008
domingo, 15 de junho de 2008

Não sou nada.
Janelas do meu quarto,
Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Falhei em tudo.
Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
(Come chocolates, pequena;Come chocolates!
Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
(Tu que consolas, que não existes e por isso consolas,
Vivi, estudei, amei e até cri,
Fiz de mim o que não soubeE o que podia fazer de mim não o fiz.
Essência musical dos meus versos inúteis,
Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Sempre uma coisa defronte da outra,
Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)
Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
Depois deito-me para trás na cadeira
(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
segunda-feira, 9 de junho de 2008

Beatriz acorda às 06:00 hs após poucas horas de sono.
Domingo...era para dormir até tarde!
08 de junho ... meu último dia de férias.
Só Drummond para me entender mesmo.
Poema que aconteceu (Drummond)
sábado, 7 de junho de 2008
Essa semana enquanto estava de férias recebi um e-mail que tinha o título “Para os que gostam das mulheres magrinhas” com algumas fotos em anexo que trazia imagens de mulheres anórexicas em poses de modelo.
E eu me pergunto: o que faz uma pessoa incentivar esse tipo de idéia? Além da ignorância a respeito de um transtorno alimentar grave que leva muitas pessoas a morte. Com tantas coisas interessantes a serem propagadas, porque isso ?
O que faz o homem ser precário em seu tempo disponível a ponto de buscar esse tipo de conteúdo. Me faz lembrar a música “Perfeição” do Legião Urbana:
segunda-feira, 5 de maio de 2008
A luz que ali entra provém de uma imensa a alta fogueira externa. Entre ele e os prisioneiros – no exterior, portanto – há um caminho ascendente ao longo do qual foi erguida uma mureta, como se fosse a parte fronteira de um palco de marionetes. Ao longo dessa mureta-palco, homens transportam estatuetas de todo tipo, com figuras de seres humanos, animais e todas as coisas.Por causa da luz da fogueira e da posição ocupada por ela os prisioneiros enxergam na parede no fundo da caverna as sombras das estatuetas transportadas, mas sem poderem ver as próprias estatuetas, nem os homens que as transportam.
Como jamais viram outra coisa, os prisioneiros imaginavam que as sombras vistas são as próprias coisas. Ou seja, não podem saber que são sombras, nem podem saber que são imagens (estatuetas de coisas), nem que há outros seres humanos reais fora da caverna. Também não podem saber que enxergam porque há a fogueira e a luz no exterior e imaginam que toda a luminosidade possível é a que reina na caverna.
Que aconteceria, indaga Platão, se alguém libertasse os prisioneiros? Que faria um prisioneiro libertado? Em primeiro lugar, olharia toda a caverna, veria os outros seres humanos, a mureta, as estatuetas e a fogueira. Embora dolorido pelos anos de imobilidade, começaria a caminhar, dirigindo-se à entrada da caverna e, deparando com o caminho ascendente, nele adentraria.
Num primeiro momento ficaria completamente cego, pois a fogueira na verdade é a luz do sol e ele ficaria inteiramente ofuscado por ela. Depois, acostumando-se com a claridade, veria os homens que transportam as estatuetas e, prosseguindo no caminho, enxergaria as próprias coisas, descobrindo que, durante toda a sua vida, não vira senão sombra de imagens (as sombras das estatuetas projetadas no fundo da caverna) e que somente agora está contemplando a própria realidade.
Libertado e conhecedor do mundo, o prisioneiro regressaria à caverna, ficaria desnorteado pela escuridão, contaria aos outros o que viu e tentaria libertá-los.Que lhe aconteceria nesse retorno? Os demais prisioneiros zombariam dele, não acreditariam em suas palavras e, se não conseguissem silenciá-lo com suas caçoadas, tentariam fazê-lo espancando-o e, se mesmo assim, ele teimasse em afirmar o que viu e os convidasse a sair da caverna, certamente acabariam por matá-lo. Mas, quem sabe alguns poderiam ouvi-lo e, contra a vontade dos demais, também decidissem sair da caverna rumo à realidade.
quinta-feira, 1 de maio de 2008
Momento Sublime

Depois de ler o livro infantil “A vaca voadora” (1972) sugerido para a matéria de Literatura Infantil e Juvenil, fiquei curiosa para saber mais sobre a autora dessa divertida história.
Fui atrás sites e livros que falassem de EDY LIMA, e graças a colaboração de Emilia Miranda, tive a felicidade de manter contato com essa escritora:
Edy Lima é jornalista, ficcionista, teatróloga e roteirista de cinema. Começou a escrever cedo, aos 17 anos. Gaúcha, viveu muito tempo em São Paulo e no Rio de Janeiro. Ganhou vários prêmios com sua obra, entre eles o Jabuti. Seus livros apresentam um mundo em que se mesclam magia, fantasia e histórias simples e delicadas.
Conversei por pouco mais de meia hora com Edy, mas que me valeram muito.
Falamos sobre as leituras da infância, os bons livros, alguns excelentes autores e momentos da história da literatura. Uma conversa agradável com uma pessoa que tinha tanto para me contar... Além de minha curiosidade sobre Mario Quintana e Monteiro Lobato, dos quais ela conheceu, Edy me falou de muitos momentos de sua vida em que a literatura andou de mãos dadas com ela.
No fim da entrevista, ela me deixou uma frase...
“Goste do que você faz, pois além de você fazer bem, isso lhe fará feliz”
E uma sugestão de leitura: A quadratura do círculo (Edy Lima).
Momento sublime para guardar na memória...
sábado, 19 de abril de 2008
quinta-feira, 13 de março de 2008

Balada do Amor Através das Idades
Carlos Drummond de Andrade
Eu te gosto, você me gosta
desde tempos imemoriais.
Eu era grego, você troiana,
troiana mas não Helena.
Saí do cavalo de pau
para matar meu irmão.
Matei, brigamos, morremos.
Virei soldado romano,
perseguidor de cristãos.
Na porta da catatumba
encontrei-te novamente.
Mas quando vi você nua
caída na areia do circo
e o leão que vinha vindo,
dei um pulo desesperado
e o leão comeu nós dois.
Depois fui pirata mouro,
flagelo da Tripolitânia.
Toquei fogo na fragata
onde você se escondia
da fúria do meu bergantim.
Mas quando ia te pegar
e te fazer minha escrava,
você fez o sinal da cruz
e rasgou o peito a punhal...
Me suicidei também.
Depois (tempos mais amenos)
fui cortesão de Versailles,
espirituoso e devasso.
Você cismou de ser freira...
Pulei muro de convento
mas complicações políticas
nos levaram à guilhotina.
Hoje sou moço moderno,
remo, pulo, danço, boxo,
tenho dinheiro no banco.
Você é uma loura notável,
boxa, dança, pula, rema.
Seu pai é que não faz gosto.
Mas depois de mil peripécias,
eu, herói da Paramount,
te abraço, beijo e casamos.
domingo, 17 de fevereiro de 2008

Muitas vezes sinto uma percepção mais aguçada
que de um gato.Entendo um olhar de frustração
Um gesto de raiva,Um comentário
invejoso...Parece que vejo lá do alto como uma águia
E não
consigo desligar essa percepçãoMeus olhos vêem borboletas e urubus,
Sinto cheiro dos perfumes caros e daqueles com suas
narinas invejosas atrás.
Entendo que comunicamos tudo que nossa mente
maquina.Mas me surpreende como existem tantos cegos
que não percebem nem ao menos suas olheiras e
frustrações ao espelho.Não se conhecem...
É questão de busca.. de ligar
"ON" para pessoas.Pessoas falam muito mais que os sons de suas
vozes.
terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

COMPENSAÇÃO - Cecília Meireles
Hoje que queria abrir um álbum de fotografias, onde não houvesse gente de olhos duros e mãos aduncas. Onde umas boas senhoras pousassem no papel com delicadeza, não para sobreviverem eternamente, mas para mandarem seu retrato às amigas com finas letras de “sincera afeição”. Um álbum onde aparecessem uns bons velhotes que não faziam negociatas, que não sabiam multiplicar dinheiro, que usavam roupas desajeitadas, sofriam de reumatismo, liam Virgílio e Horácio, e não tinham medo de fantasmas do porão. De lá de dentro de seus retratos essas senhoras estariam dizendo: “Meus filhos, nada disso vale a pena...” (E saberíamos que falavam de parentes sôfregos, ávidos de partilhas, uns querendo herdar as terras do morro – outros, a mata; outros, a várzea – todos vivendo já do testamento, antes mesmo da extrema-unção...) Hoje eu queria ficar folheando este álbum, onde não desejaria encontrar aqueles herdeiros.
Hoje eu queria ler uns livros que não falam de gente, mas só de bichos, de plantas, de pedras: um livro que me levasse por essas solidões da Natureza, sem vozes humanas, sem discursos, boatos, mentiras, calúnias, falsidades, elogios, celebrações... hoje eu queria apenas ver uma flor abrir-se, desmanchar-se, viver sua existência autêntica, integral, do nascimento à morte, muito breve, sem borboleta nem abelha de permeio. Uma existência total, no seu mistério. (E antes da flor? – Não sei.).
Esta ignorância humana. Este silêncio do universo. A sabedoria. Hoje eu queria estar entre as nuvens, na velocidade das nuvens, na sua fragilidade, na sua docilidade de ser e deixar de ser. Livremente. Sem interesse próprio. Confiante. À mercê da vida. Sem nenhum sonho de durarem um pouco mais, de ficarem no céu até o ano 2000, de terem emprego público, férias, abono de Natal, montepio, prêmio de loteria, discurso à beira do túmulo, nome em placa de rua, busto no jardim... (Ó nuvens prodigiosas, criaturas efêmeras que estais tão alto e não pretendeis nada, e sois capazes de obscurecer o sol e de fazer frutificar a terra, e não tendes vaidade nenhuma nem apego a esses ocasos!) Hoje eu quereria andar lá em cima nas nuvens, com as nuvens, pelas nuvens, para as nuvens...
Hoje eu quereria estar no deserto amarelo, sem beduíno, camelo ou rebanho de cabras: no puro deserto amarelo onde só reina o vento grandioso que leva tudo, que não precisa nem de água, nem de areia, nem de flor, nem de pedra, nem de gente. O vento solitário que vai para longe de mãos vazias.
Hoje eu queria ser esse vento.
quinta-feira, 31 de janeiro de 2008
Poética/ Manuel BandeiraEstou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente
protocolo e manifestações de apreço ao Sr. diretor.
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário
o cunho vernáculo de um vocábulo.
Abaixo os puristas
Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis
Estou farto do lirismo namorador
PolíticoRaquíticoSifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora de si mesmo
De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretário do amante
exemplar com cem modelos de cartas e as diferentes
maneiras de agradar às mulheres, etc
Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbedos
O lirismo difícil e pungente dos bêbedos
O lirismo dos clowns de Shakespeare
— Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.






