quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Poética/ Manuel Bandeira


Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente
protocolo e manifestações de apreço ao Sr. diretor.
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário
o cunho vernáculo de um vocábulo.
Abaixo os puristas
Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis
Estou farto do lirismo namorador
PolíticoRaquíticoSifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora de si mesmo
De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretário do amante
exemplar com cem modelos de cartas e as diferentes
maneiras de agradar às mulheres, etc
Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbedos
O lirismo difícil e pungente dos bêbedos
O lirismo dos clowns de Shakespeare

— Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Meus livros

Alice no País das Maravilhas - Lewis Carroll
Auto-enagno - Eduardo Giannetti
Boca do inferno - Ana Miranda
Cândido ou o otimismo - Voltaire
Crime e castigo - Fiódor Dostoiésvsky
Crônica de uma morte anunciada - Gabriel García Marquez
Cartas a um jovem poeta - Rainer Maria Rilke
Édipo rei - Sófocles
Escolha o Seu Sonho - Cecília Meireles
Senhora - José de Alencar
Madame Bovary - Gustave Flaubert
Memórias de um sargento de milícias - Manuel Antônio de Almeida
Meu Michel - Amós Oz
Problemas da literatura infantil - Cecília Meireles
O crime do Padre Amaro - Eça de queiroz
O pássaro raro - Jostein Gaarder
O Veneno da madrugada - Gabriel Garcia Marquez

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Lembro do dia que li esse poema de Drummond e senti como se acabara de ter uma aula de um mestre...

Procura da Poesia (Carlos Drummond de Andrade)
Livro: A rosa do povo

Não faças versos sobre acontecimentos.
Não há criação nem morte perante a poesia.
Diante dela, a vida é um sol estático,
não aquece nem ilumina.
As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não contam.
Não faças poesia com o corpo,
esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso à efusão lírica.

Tua gota de bile, tua careta de gozo ou dor no escuro
são indiferentes.
Não me reveles teus sentimentos,
que se prevalecem de equívoco e tentam a longa viagem.
O que pensas e sentes, isso ainda não é poesia.

Não cantes tua cidade, deixa-a em paz.
O canto não é o movimento das máquinas nem o segredo das casas.
Não é música ouvida de passagem, rumor do mar nas ruas junto à linha de espuma.

O canto não é a natureza
nem os homens em sociedade.
Para ele, chuva e noite, fadiga e esperança nada significam.
A poesia (não tires poesia das coisas)
elide sujeito e objeto.

Não dramatizes, não invoques,
não indagues. Não percas tempo em mentir.
Não te aborreças.
Teu iate de marfim, teu sapato de diamante,
vossas mazurcas e abusões, vossos esqueletos de família
desaparecem na curva do tempo, é algo imprestável.

Não recomponhas
tua sepultada e merencória infância.
Não osciles entre o espelho e a
memória em dissipação.
Que se dissipou, não era poesia.
Que se partiu, cristal não era.

Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.

Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.
Tem paciência, se obscuros. Calma, se te provocam.
Espera que cada um se realize e consume
com seu poder de palavra
e seu poder de silêncio.
Não forces o poema a desprender-se do limbo.
Não colhas no chão o poema que se perdeu.
Não adules o poema. Aceita-o
como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada
no espaço.

Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível que lhe deres:
Trouxeste a chave?

Repara:
ermas de melodia e conceito elas se refugiaram na noite, as palavras.
Ainda úmidas e impregnadas de sono,
rolam num rio difícil e se transformam em desprezo.

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

VAMOS NOS PERMITIR


Quando penso nas restrições que nós mesmos criamos,
Nas regras e imposições que nos prejudicam,
Tenho ânsia de arrancar isso de dentro de mim,
Como se fosse uma simples pecinha de “Lego”.

E quero superar...
Mudar !
Quero ser mais livre para a vida
Menos angustiada com cobranças
Mais leve para sorrisos

Para que eu possa amar
Para que eu possa rir
Para que eu possa viver

sexta-feira, 20 de julho de 2007


“Esquecemos o valor de estar em paz com alguém, de aprofundar um relacionamento,
de ficar quietos lado a lado sem que isso seja um problema”.

Fonte: Deitando no divã para aprender a amar. Juliana Dacoregio
http://www.doqueelasgostam.com.br/artigos

Hoje quando li essa frase fiquei tão surpresa de como não valorizamos o que deveríamos.
Perdemos tanto tempo com ciúmes, estética, o que ele falou ou deixou de falar.
E esquecemos do mais importante, o sentir...a verdade do amor...

Uma boa semana a todos

sábado, 30 de junho de 2007

EU LI SIM



"Quando Nietzsche chorou" - Irvin Yalom

Eis algumas frases que gostei e destaquei.

“Somente quando consegue viver como águia, sem absolutamente
qualquer público, você consegue se voltar para outra pessoa com amor; somente então
é capaz de se preocupar com o engrandecimento do outro ser humano.”pág 372


“Perdoe-me se pareço impaciente, mas existe um fosso, um imenso fosso,
entre saber algo intelectualmente e sabe-lo emocionalmente.”pág 280


“(...) Dostoievski escreve que algumas coisas não devem ser contadas,
exceto aos amigos; outras coisas não devem ser contadas mesmo aos amigos;
finalmente existem coisas que não se contam nem a si mesmo!” pág 310

sexta-feira, 22 de junho de 2007



Quanto mais procuro compreender a vida,
Vejo o quanto não existem regras de compreensão.
Porque não sabemos quando e como vamos morrer
Não sabemos onde vamos encontrar nosso grande amor
Não entendemos o porquê das dificuldades
E nem conseguimos prever as surpresas que nos surpreendem.

Voltas e reviravoltas da vida,
Decepções que nunca esperávamos
Sonhos realizados quando não tínhamos mais esperança
Notícias de quem lhe fez bem ou mal...

Lições que a vida nos traz..
Mistérios que ela possui
Isso me fascina!

terça-feira, 5 de junho de 2007

Simples e poucas palavras... profundidade e beleza em poesia:

O mundo é grande

O mundo é grande e cabe nesta janela sobre o mar.
O mar é grande e cabena cama e no colchão de amar.
O amor é grande e cabeno breve espaço de beijar.
(Carlos Drummond de Andrade in “Amar se Aprende Amando”)

sábado, 2 de junho de 2007



Uma mensagem para o final de semana:

“Toda vez que o amor disser
Vem comigo
Vai sem medo
De se arrepender
Você deve acreditar
No que eu digo
Pode ir fundo
Isso é que é viver
Cola seu rosto no meu, vem dançar
Pinga seu nome no breu pra ficar
Enquanto se esquece de mim
Lembra da canção
Enquanto se esquece de mim
Lembra da canção
Ó lua bonita no céu molha o nosso amor”

Trecho Da Música CHUVA DE PRATA (Ed Wilson - Ronaldo Bastos)

sexta-feira, 1 de junho de 2007

CARPE DIEM

Carpe Diem quer dizer "colha o dia".
Porque a vida não pode ser economizada para amanhã.
Acontece sempre no presente.

Carpe Diem
Significa viver...
Ter um dia produtivo

É a vontade de dormir sorrindo
Carpe Diem é a força de superar problemas
De buscar mais dessa vida
De acreditar na bondade
E praticá-la...

Carpe Diem é olhar nos olhos
É caminhar devagar
É vislumbrar o pôr do sol
É se apaixonar
É se presentear
Carpe Diem é viver!!!

domingo, 27 de maio de 2007


Li na revista UMA desse mês uma matéria sobre os sete pecados capitais...
E me chamou atenção um trecho falando sobre a preguiça:

“Tirar um dia da semana para dormir até mais tarde, alugar uma comédia
despretensiosa apenas para dar risada, sentar na varanda e ficar olhando o sol se pôr.
Você não precisa pedir demissão e passar o resto da vida sem rumo, mas se permitir
alguns momentos de desfrute preguiçoso..Vai muito bem!” Revista Uma;Maio/2007

Tantos dias lindos vão passando,
E nem percebemos...
Porque trabalho, problemas vão nos consumindo

VAMOS NOS PERMITIR !!

sexta-feira, 25 de maio de 2007

Como estou com pouco tempo para escrever aqui... deixo um presente de Fernando Pessoa:

Não sei quantas almas tenho
(Fernando Pessoa)


Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,

Atento ao que sou e vejo,

Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo

Como páginas, meu ser.
O que sogue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo : "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu.

sexta-feira, 18 de maio de 2007

As coisas que eu não sei

Desde muito tempo tenho convivido com a característica do perfeccionismo. Algo tão nocivo
quanto uma doença.
Sim, pois ser exigente, organizada é uma coisa bem diferente do que se culpar, não aceitar
seus próprios erros e “bitolar” na idéia fixa de cobrança consigo mesma.
Mas não tardou muito para que alguns livros e muitas reflexões começassem a mudar esse
conceito de vida.
Então, aprendi a dizer que não sei (para quem é perfeccionista sabe o quanto essa frase dá
calafrios). E, resolvi exercitar isso em meu blog.
Eis uma lista das coisas que eu não sei, não fui e não entendo:

Não entendo de bebidas;
Não entendo de carros (minha identificação se restringe ao tamanho e cor deles);
Não falo inglês (estou em treinamento);
Nunca fui no Beto Carrero ( e acho que não perdi nada)
Não fiz pré, jardim, crisma nem festa de 15 anos;
Não sei a diferença dos 300 tipos de música eletrônica.
Não sei cozinhar
Não sei nadar
Não sei tricotar
Não sei andar de bicicleta (só correr de roller, rs)

OBS: Não estou excluindo a possibilidade de um dia riscar algo dessa lista porque aprendi
(algumas não tem volta), mas quero simplesmente mostrar que a cobrança da perfeição é a prisão da alma...