sexta-feira, 4 de julho de 2008

DECIFRA-ME OU TE DEVORO !

Frase atribuída à Esfinge que desafiou Édipo na obra de Homero, a expressão "Decifra-me ou te devoro" é um dos desafios para não cometer equívocos em associações e/ou interpretações de textos literários. Ouvir falar é uma coisa, entender e saber é outra!
Como antídoto para essa moléstia, recomendo aqui : “O LIVRO DOS SERES IMÁGINARIOS” de Jorge Luis Borges e Margarita Guerrero.

Publicado em 2000, pela Editora Globo, o livro é um tesouro de simbologia. Contendo definições de seres mitológicos como Minotauro, Fênix, Quimera, o cão Cérbero entre outros “animaizinhos” criados pela mente humana que rodeiam a literatura universal, essa obra é uma ótima referência de pesquisa.

Para saber mais do livro:
http://brunos.multiply.com/reviews/item/129



quinta-feira, 3 de julho de 2008

O ESMAGAMENTO DAS GOTAS

Do livro: Histórias de Cronópios e de Famas (1970)


" Eu não sei, olhe, é terrível como chove. Chove o tempo todo, lá fora fechado e cinza, aqui contra a sacada com gotões coalhados e duros que fazem plaf e se esmagam como bofetadas um atrás do outro, que tédio. Agora aparece a gotinha no alto da esquadria da janela, fica tremelicando contra o céu que a esmigalha em mil brilhos apagados, vai crescendo e balouça, já vai cair e não cai, não cai ainda. Está segura com todas as unhas, não quer cair e se vê que ela se agarra com os dentes enquanto lhe cresce a barriga, já é uma gotona que pende majestosa e de repente zup, lá vai ela, plaf, desmanchada, nada, uma viscosidade no mármore. Mas há as que se suicidam e logo se entregam, brotam na esquadria e de lá mesmo se jogam, parece-me ver a vibração do salto, suas perninhas desprendendo-se e o grito que as embriaga nesse nada de cair e aniquilar-se. Tristes gotas, redondas inocentes gotas. Adeus gotas. Adeus."

Julio Florencio Cortázar (Bruxelas, 1914 – Paris 1984)
Belga de pais argentinos,filho de pai Diplomata. Foi morar aos 4 anos de idade na Argentina.
Seu livro mais conhecido é o romance O Jogo da Amarelinha (1963), que permite várias leituras orientadas pelo próprio autor. É autor de contos considerados como os mais perfeitos no gênero, maior parte de sua obra, reunidos em livros como Bestiário (1951), Final de Jogo (1956), Todos os Fogos o Fogo (1966) e As Armas Secretas (1959).



quarta-feira, 2 de julho de 2008

Sim mestre Drummond !


Carlos Drummond de Andrade na minha opinião é o melhor poeta brasileiro.
Sua coletânea editada pela Nova Aguilar(2006) é meu livro de cabeceira.
Em cada leitura ,tenho a impressão de estabelecer um diálogo com esse meu "mestre da poesia".
Abaixo segue uma de suas falas, que demonstram sua simplicidade e percepção em relação à vida . O trecho faz parte da última entrevista cedida por Drummond. O felizardo foi jornalista Geneton Moares Neto do Jornal do Brasil em agosto/1987 :

"A beleza ainda me emociona muito. Não só a beleza física, mas a beleza natural. Hoje, com quase oitenta e cinco anos, tenho uma visão da natureza muito mais rica do que eu tinha quando era jovem. Eu reparava mais em certas formas de beleza. Mas, hoje, a natureza, para mim, é um repertório surpreendente de coisas magníficas e coisas belas. Contemplar o vôo do pássaro, contemplar uma pomba ou uma rolinha que pousa na minha janela...
Fico estático vendo a maravilha que é aquele bichinho que voou para cima de mim, à procura de comida ou de nem sei o quê. A inter-relação dos seres vivos e a integração dos seres vivos no meio natural, para mim, é uma coisa que considero sublime."

Entrevista na íntegra na obra:
O Dossiê Drummond/ A Última entrevista do Poeta (1994)

terça-feira, 1 de julho de 2008

Eu tive infância !



Inesquecíveis livros de minha infância: Coleção Vagalume.


Para relembrar, eis aqui a lista de livros desta coleção de literatura infanto-juvenil (Editora Ática):


A Aldeia Sagrada
A Árvore que Dava Dinheiro
A Charada do Sol e da Chuva
A Grande Fuga
A Grande Virada
A Guerra do Lanche
A Ilha Perdida
A Ladeira da Saudade
A Magia da Árvore Luminosa
A Maldição do Tesouro do Faraó
A Montanha das Duas Cabeças
A Noite dos Quatro Furacões
A Primeira Reportagem
A Serra dos Dois Meninos
A Turma da Rua Quinze
A Vida Secreta de Jonas
A Vingança da Cobra
Açúcar Amargo
Agitação à Beira-Mar
Ameaça nas Trilhas do Tarô
Aventura no Império do Sol
Aventuras de Xisto
Bem-Vindos ao Rio
Cabra das Rocas
Cabra das Rocas
Cem Noites Tapuias
Confusões & Calafrios
Coração de Onça
Correndo contra o Destino
Corrida Infernal
Crescer É uma Aventura
Deu a Louca no Tempo
Deus me Livre!
Dinheiro do Céu
Doze Horas de Terror
Em Busca do Diamante
Em Busca do Diamante
Enigma na Televisão
Éramos Seis
Garra de Campeão
Gincana da Morte
Jogo Sujo
Manobra Radical
Menino de Asas
Meninos sem Pátria
Missão no Oriente
Morte no Colégio
Na Barreira do Inferno
Na Ilha do Dragão
Na Mira do Vampiro
Na Rota do Perigo
Nas Ondas do Surfe
O Brinquedo Misterioso
O Brinquedo Misterioso
O Caso da Borboleta Atíria
O Desafio do Pantanal
O Diabo no Porta-malas
O Escaravelho do Diabo
O Fabricante de Terremotos
O Fantasma de Tio William
O Feijão e o Sonho
O Gigante de Botas
O Grito do Hip-Hop
O Jogo do Camaleão
O Mistério da Cidade-Fantasma
O Mistério do Cinco Estrelas
O Mistério dos Morros Dourados
O Ninho dos Gaviões
O Ouro do Fantasma
O Outro Lado da Ilha
O Preço da Coragem
O Primeiro Amor e Outros Perigos
O Rapto do Garoto de Ouro
O Robô que Virou Gente
O Segredo dos Índios
O Segredo dos Sinais Mágicos
O Senhor da Água
O Super Tênis
Office-Boy em Apuros
Operação Nova York
Os Barcos de Papel
Os Meninos da Rua Quinze
Os Passageiros do Futuro
Os Pequenos Jangadeiros
Pega Ladrão
Perigos no Mar
Quem Está Perseguindo Zero-Zero-Au?
Quem Manda Já Morreu
S.O.S. Ararinha-Azul
Segura, Peão!
Sozinha no Mundo
Spharion
Tem Lagartixa no Computador
Terror na Festa
Tonico
Tonico e Carniça
Tráfico de Anjos
Um Cadáver Ouve Rádio
Um Gnomo na Minha Horta
Um Inimigo em Cada Esquina
Um Leão em Família
Um Rosto no Computador
Vencer ou Vencer
Viagem pelo Ombro da Minha Jaqueta
Xisto e o Pássaro Cósmico
Xisto no Espaço
Zezinho, o Dono da Porquinha Preta

A mí me gusta !

Seria interessante que nós, brasileiros, conhecêssemos mais da cultura de "nuestros hermanos", como por exemplo de Julieta Venegas. Essa talentosa cantora, que nasceu nos EUA mas que canta e encanta com o idioma espanhol. Vale a pena conferir !


Para refletir:
Naquilo que nos propomos a fazer, estamos nos dedicando o suficiente?
...

sexta-feira, 20 de junho de 2008

"Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido.
Eu não: quero uma verdade inventada."
CLARICE LISPECTOR

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Botella al mar - Mario Benedetti

Pongo estos seis versos en mi botella al mar
con el secreto designio de que algún día
llegue a una playa casi desierta
y un niño la encuentre y la destape
y en lugar de versos extraiga piedritas
y socorros y alertas y caracoles.

domingo, 15 de junho de 2008


TABACARIA (Álvaro de Campos)

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.
Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.
Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.
Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira.
Em que hei de pensar?
Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso?
Mas penso tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Gênio?
Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chava, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordamos e ele é opaco,
Levantamo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.
(Come chocolates, pequena;Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)
Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, em rol, pra o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.
(Tu que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)
Vivi, estudei, amei e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente
Fiz de mim o que não soubeE o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.
Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-me como coisa que eu fizesse,
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbado tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.
Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olho-o com o desconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,
Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.
Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.
Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma conseqüência de estar mal disposto.
Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.
(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)Visto isto, levanto-me da cadeira.
Vou à janela.
O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.(O Dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu

segunda-feira, 9 de junho de 2008


Domingo, 08 de junho de 2008.
Beatriz acorda às 06:00 hs após poucas horas de sono.
Domingo...era para dormir até tarde!
08 de junho ... meu último dia de férias.

Só Drummond para me entender mesmo.


Poema que aconteceu (Drummond)
Nenhum desejo neste domingo
nenhum problema nesta vida
o mundo parou de repente
os homens ficaram calados
domingo sem fim nem começo.
A mão que escreve este poema
não sabe o que está escrevendo
mas é possível que se soubesse
nem ligasse.

sábado, 7 de junho de 2008

Essa semana enquanto estava de férias recebi um e-mail que tinha o título “Para os que gostam das mulheres magrinhas” com algumas fotos em anexo que trazia imagens de mulheres anórexicas em poses de modelo.
E eu me pergunto: o que faz uma pessoa incentivar esse tipo de idéia? Além da ignorância a respeito de um transtorno alimentar grave que leva muitas pessoas a morte. Com tantas coisas interessantes a serem propagadas, porque isso ?
O que faz o homem ser precário em seu tempo disponível a ponto de buscar esse tipo de conteúdo. Me faz lembrar a música “Perfeição” do Legião Urbana:

segunda-feira, 5 de maio de 2008

O MITO DA CAVERNA
(do livro A República, de Platão)
Imaginemos uma caverna subterrânea onde, desde a infância, geração após geração, seres humanos estão aprisionados. Suas pernas e seus pescoços estão algemados de tal modo que são forçados a permanecer sempre no mesmo lugar e a olhar apenas a frente, não podendo girar a cabaça nem para trás nem para os lados. A entrada da caverna permite que alguma luz exterior ali penetre, de modo que se possa, na semi-obscuridade, enxergar o que se passa no interior.
A luz que ali entra provém de uma imensa a alta fogueira externa. Entre ele e os prisioneiros – no exterior, portanto – há um caminho ascendente ao longo do qual foi erguida uma mureta, como se fosse a parte fronteira de um palco de marionetes. Ao longo dessa mureta-palco, homens transportam estatuetas de todo tipo, com figuras de seres humanos, animais e todas as coisas.Por causa da luz da fogueira e da posição ocupada por ela os prisioneiros enxergam na parede no fundo da caverna as sombras das estatuetas transportadas, mas sem poderem ver as próprias estatuetas, nem os homens que as transportam.
Como jamais viram outra coisa, os prisioneiros imaginavam que as sombras vistas são as próprias coisas. Ou seja, não podem saber que são sombras, nem podem saber que são imagens (estatuetas de coisas), nem que há outros seres humanos reais fora da caverna. Também não podem saber que enxergam porque há a fogueira e a luz no exterior e imaginam que toda a luminosidade possível é a que reina na caverna.
Que aconteceria, indaga Platão, se alguém libertasse os prisioneiros? Que faria um prisioneiro libertado? Em primeiro lugar, olharia toda a caverna, veria os outros seres humanos, a mureta, as estatuetas e a fogueira. Embora dolorido pelos anos de imobilidade, começaria a caminhar, dirigindo-se à entrada da caverna e, deparando com o caminho ascendente, nele adentraria.
Num primeiro momento ficaria completamente cego, pois a fogueira na verdade é a luz do sol e ele ficaria inteiramente ofuscado por ela. Depois, acostumando-se com a claridade, veria os homens que transportam as estatuetas e, prosseguindo no caminho, enxergaria as próprias coisas, descobrindo que, durante toda a sua vida, não vira senão sombra de imagens (as sombras das estatuetas projetadas no fundo da caverna) e que somente agora está contemplando a própria realidade.
Libertado e conhecedor do mundo, o prisioneiro regressaria à caverna, ficaria desnorteado pela escuridão, contaria aos outros o que viu e tentaria libertá-los.Que lhe aconteceria nesse retorno? Os demais prisioneiros zombariam dele, não acreditariam em suas palavras e, se não conseguissem silenciá-lo com suas caçoadas, tentariam fazê-lo espancando-o e, se mesmo assim, ele teimasse em afirmar o que viu e os convidasse a sair da caverna, certamente acabariam por matá-lo. Mas, quem sabe alguns poderiam ouvi-lo e, contra a vontade dos demais, também decidissem sair da caverna rumo à realidade.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Momento Sublime


Era para ser só mais um trabalho da faculdade...

Depois de ler o livro infantil “A vaca voadora” (1972) sugerido para a matéria de Literatura Infantil e Juvenil, fiquei curiosa para saber mais sobre a autora dessa divertida história.
Fui atrás sites e livros que falassem de EDY LIMA, e graças a colaboração de Emilia Miranda, tive a felicidade de manter contato com essa escritora:
Edy Lima é jornalista, ficcionista, teatróloga e roteirista de cinema. Começou a escrever cedo, aos 17 anos. Gaúcha, viveu muito tempo em São Paulo e no Rio de Janeiro. Ganhou vários prêmios com sua obra, entre eles o Jabuti. Seus livros apresentam um mundo em que se mesclam magia, fantasia e histórias simples e delicadas.
Conversei por pouco mais de meia hora com Edy, mas que me valeram muito.
Falamos sobre as leituras da infância, os bons livros, alguns excelentes autores e momentos da história da literatura. Uma conversa agradável com uma pessoa que tinha tanto para me contar... Além de minha curiosidade sobre Mario Quintana e Monteiro Lobato, dos quais ela conheceu, Edy me falou de muitos momentos de sua vida em que a literatura andou de mãos dadas com ela.
No fim da entrevista, ela me deixou uma frase...
“Goste do que você faz, pois além de você fazer bem, isso lhe fará feliz”
E uma sugestão de leitura: A quadratura do círculo (Edy Lima).

Momento sublime para guardar na memória...