segunda-feira, 9 de junho de 2008


Domingo, 08 de junho de 2008.
Beatriz acorda às 06:00 hs após poucas horas de sono.
Domingo...era para dormir até tarde!
08 de junho ... meu último dia de férias.

Só Drummond para me entender mesmo.


Poema que aconteceu (Drummond)
Nenhum desejo neste domingo
nenhum problema nesta vida
o mundo parou de repente
os homens ficaram calados
domingo sem fim nem começo.
A mão que escreve este poema
não sabe o que está escrevendo
mas é possível que se soubesse
nem ligasse.

sábado, 7 de junho de 2008

Essa semana enquanto estava de férias recebi um e-mail que tinha o título “Para os que gostam das mulheres magrinhas” com algumas fotos em anexo que trazia imagens de mulheres anórexicas em poses de modelo.
E eu me pergunto: o que faz uma pessoa incentivar esse tipo de idéia? Além da ignorância a respeito de um transtorno alimentar grave que leva muitas pessoas a morte. Com tantas coisas interessantes a serem propagadas, porque isso ?
O que faz o homem ser precário em seu tempo disponível a ponto de buscar esse tipo de conteúdo. Me faz lembrar a música “Perfeição” do Legião Urbana:

segunda-feira, 5 de maio de 2008

O MITO DA CAVERNA
(do livro A República, de Platão)
Imaginemos uma caverna subterrânea onde, desde a infância, geração após geração, seres humanos estão aprisionados. Suas pernas e seus pescoços estão algemados de tal modo que são forçados a permanecer sempre no mesmo lugar e a olhar apenas a frente, não podendo girar a cabaça nem para trás nem para os lados. A entrada da caverna permite que alguma luz exterior ali penetre, de modo que se possa, na semi-obscuridade, enxergar o que se passa no interior.
A luz que ali entra provém de uma imensa a alta fogueira externa. Entre ele e os prisioneiros – no exterior, portanto – há um caminho ascendente ao longo do qual foi erguida uma mureta, como se fosse a parte fronteira de um palco de marionetes. Ao longo dessa mureta-palco, homens transportam estatuetas de todo tipo, com figuras de seres humanos, animais e todas as coisas.Por causa da luz da fogueira e da posição ocupada por ela os prisioneiros enxergam na parede no fundo da caverna as sombras das estatuetas transportadas, mas sem poderem ver as próprias estatuetas, nem os homens que as transportam.
Como jamais viram outra coisa, os prisioneiros imaginavam que as sombras vistas são as próprias coisas. Ou seja, não podem saber que são sombras, nem podem saber que são imagens (estatuetas de coisas), nem que há outros seres humanos reais fora da caverna. Também não podem saber que enxergam porque há a fogueira e a luz no exterior e imaginam que toda a luminosidade possível é a que reina na caverna.
Que aconteceria, indaga Platão, se alguém libertasse os prisioneiros? Que faria um prisioneiro libertado? Em primeiro lugar, olharia toda a caverna, veria os outros seres humanos, a mureta, as estatuetas e a fogueira. Embora dolorido pelos anos de imobilidade, começaria a caminhar, dirigindo-se à entrada da caverna e, deparando com o caminho ascendente, nele adentraria.
Num primeiro momento ficaria completamente cego, pois a fogueira na verdade é a luz do sol e ele ficaria inteiramente ofuscado por ela. Depois, acostumando-se com a claridade, veria os homens que transportam as estatuetas e, prosseguindo no caminho, enxergaria as próprias coisas, descobrindo que, durante toda a sua vida, não vira senão sombra de imagens (as sombras das estatuetas projetadas no fundo da caverna) e que somente agora está contemplando a própria realidade.
Libertado e conhecedor do mundo, o prisioneiro regressaria à caverna, ficaria desnorteado pela escuridão, contaria aos outros o que viu e tentaria libertá-los.Que lhe aconteceria nesse retorno? Os demais prisioneiros zombariam dele, não acreditariam em suas palavras e, se não conseguissem silenciá-lo com suas caçoadas, tentariam fazê-lo espancando-o e, se mesmo assim, ele teimasse em afirmar o que viu e os convidasse a sair da caverna, certamente acabariam por matá-lo. Mas, quem sabe alguns poderiam ouvi-lo e, contra a vontade dos demais, também decidissem sair da caverna rumo à realidade.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Momento Sublime


Era para ser só mais um trabalho da faculdade...

Depois de ler o livro infantil “A vaca voadora” (1972) sugerido para a matéria de Literatura Infantil e Juvenil, fiquei curiosa para saber mais sobre a autora dessa divertida história.
Fui atrás sites e livros que falassem de EDY LIMA, e graças a colaboração de Emilia Miranda, tive a felicidade de manter contato com essa escritora:
Edy Lima é jornalista, ficcionista, teatróloga e roteirista de cinema. Começou a escrever cedo, aos 17 anos. Gaúcha, viveu muito tempo em São Paulo e no Rio de Janeiro. Ganhou vários prêmios com sua obra, entre eles o Jabuti. Seus livros apresentam um mundo em que se mesclam magia, fantasia e histórias simples e delicadas.
Conversei por pouco mais de meia hora com Edy, mas que me valeram muito.
Falamos sobre as leituras da infância, os bons livros, alguns excelentes autores e momentos da história da literatura. Uma conversa agradável com uma pessoa que tinha tanto para me contar... Além de minha curiosidade sobre Mario Quintana e Monteiro Lobato, dos quais ela conheceu, Edy me falou de muitos momentos de sua vida em que a literatura andou de mãos dadas com ela.
No fim da entrevista, ela me deixou uma frase...
“Goste do que você faz, pois além de você fazer bem, isso lhe fará feliz”
E uma sugestão de leitura: A quadratura do círculo (Edy Lima).

Momento sublime para guardar na memória...

segunda-feira, 28 de abril de 2008


"Liberdade pra mim é pouco, o que eu quero ainda não tem nome..."
Clarice Lispector

quinta-feira, 13 de março de 2008


Balada do Amor Através das Idades

Carlos Drummond de Andrade


Eu te gosto, você me gosta
desde tempos imemoriais.
Eu era grego, você troiana,
troiana mas não Helena.
Saí do cavalo de pau
para matar meu irmão.
Matei, brigamos, morremos.

Virei soldado romano,
perseguidor de cristãos.
Na porta da catatumba
encontrei-te novamente.
Mas quando vi você nua
caída na areia do circo
e o leão que vinha vindo,
dei um pulo desesperado
e o leão comeu nós dois.

Depois fui pirata mouro,
flagelo da Tripolitânia.
Toquei fogo na fragata
onde você se escondia
da fúria do meu bergantim.
Mas quando ia te pegar
e te fazer minha escrava,
você fez o sinal da cruz
e rasgou o peito a punhal...
Me suicidei também.

Depois (tempos mais amenos)
fui cortesão de Versailles,
espirituoso e devasso.
Você cismou de ser freira...
Pulei muro de convento
mas complicações políticas
nos levaram à guilhotina.

Hoje sou moço moderno,
remo, pulo, danço, boxo,
tenho dinheiro no banco.
Você é uma loura notável,
boxa, dança, pula, rema.
Seu pai é que não faz gosto.
Mas depois de mil peripécias,
eu, herói da Paramount,
te abraço, beijo e casamos.

domingo, 17 de fevereiro de 2008



Muitas vezes sinto uma percepção mais aguçada
que de um gato.

Entendo um olhar de frustração

Um gesto de raiva,Um comentário
invejoso...

Parece que vejo lá do alto como uma águia
E não
consigo desligar essa percepção

Meus olhos vêem borboletas e urubus,

Sinto cheiro dos perfumes caros e daqueles com suas
narinas invejosas atrás.
Entendo que comunicamos tudo que nossa mente
maquina.

Mas me surpreende como existem tantos cegos

que não percebem nem ao menos suas olheiras e
frustrações ao espelho.

Não se conhecem...
É questão de busca.. de ligar
"ON" para pessoas.

Pessoas falam muito mais que os sons de suas
vozes.







terça-feira, 5 de fevereiro de 2008


COMPENSAÇÃO - Cecília Meireles

Hoje que queria abrir um álbum de fotografias, onde não houvesse gente de olhos duros e mãos aduncas. Onde umas boas senhoras pousassem no papel com delicadeza, não para sobreviverem eternamente, mas para mandarem seu retrato às amigas com finas letras de “sincera afeição”. Um álbum onde aparecessem uns bons velhotes que não faziam negociatas, que não sabiam multiplicar dinheiro, que usavam roupas desajeitadas, sofriam de reumatismo, liam Virgílio e Horácio, e não tinham medo de fantasmas do porão. De lá de dentro de seus retratos essas senhoras estariam dizendo: “Meus filhos, nada disso vale a pena...” (E saberíamos que falavam de parentes sôfregos, ávidos de partilhas, uns querendo herdar as terras do morro – outros, a mata; outros, a várzea – todos vivendo já do testamento, antes mesmo da extrema-unção...) Hoje eu queria ficar folheando este álbum, onde não desejaria encontrar aqueles herdeiros.
Hoje eu queria ler uns livros que não falam de gente, mas só de bichos, de plantas, de pedras: um livro que me levasse por essas solidões da Natureza, sem vozes humanas, sem discursos, boatos, mentiras, calúnias, falsidades, elogios, celebrações... hoje eu queria apenas ver uma flor abrir-se, desmanchar-se, viver sua existência autêntica, integral, do nascimento à morte, muito breve, sem borboleta nem abelha de permeio. Uma existência total, no seu mistério. (E antes da flor? – Não sei.).
Esta ignorância humana. Este silêncio do universo. A sabedoria. Hoje eu queria estar entre as nuvens, na velocidade das nuvens, na sua fragilidade, na sua docilidade de ser e deixar de ser. Livremente. Sem interesse próprio. Confiante. À mercê da vida. Sem nenhum sonho de durarem um pouco mais, de ficarem no céu até o ano 2000, de terem emprego público, férias, abono de Natal, montepio, prêmio de loteria, discurso à beira do túmulo, nome em placa de rua, busto no jardim... (Ó nuvens prodigiosas, criaturas efêmeras que estais tão alto e não pretendeis nada, e sois capazes de obscurecer o sol e de fazer frutificar a terra, e não tendes vaidade nenhuma nem apego a esses ocasos!) Hoje eu quereria andar lá em cima nas nuvens, com as nuvens, pelas nuvens, para as nuvens...
Hoje eu quereria estar no deserto amarelo, sem beduíno, camelo ou rebanho de cabras: no puro deserto amarelo onde só reina o vento grandioso que leva tudo, que não precisa nem de água, nem de areia, nem de flor, nem de pedra, nem de gente. O vento solitário que vai para longe de mãos vazias.

Hoje eu queria ser esse vento.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Poética/ Manuel Bandeira


Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente
protocolo e manifestações de apreço ao Sr. diretor.
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário
o cunho vernáculo de um vocábulo.
Abaixo os puristas
Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis
Estou farto do lirismo namorador
PolíticoRaquíticoSifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora de si mesmo
De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretário do amante
exemplar com cem modelos de cartas e as diferentes
maneiras de agradar às mulheres, etc
Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbedos
O lirismo difícil e pungente dos bêbedos
O lirismo dos clowns de Shakespeare

— Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Meus livros

Alice no País das Maravilhas - Lewis Carroll
Auto-enagno - Eduardo Giannetti
Boca do inferno - Ana Miranda
Cândido ou o otimismo - Voltaire
Crime e castigo - Fiódor Dostoiésvsky
Crônica de uma morte anunciada - Gabriel García Marquez
Cartas a um jovem poeta - Rainer Maria Rilke
Édipo rei - Sófocles
Escolha o Seu Sonho - Cecília Meireles
Senhora - José de Alencar
Madame Bovary - Gustave Flaubert
Memórias de um sargento de milícias - Manuel Antônio de Almeida
Meu Michel - Amós Oz
Problemas da literatura infantil - Cecília Meireles
O crime do Padre Amaro - Eça de queiroz
O pássaro raro - Jostein Gaarder
O Veneno da madrugada - Gabriel Garcia Marquez

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Lembro do dia que li esse poema de Drummond e senti como se acabara de ter uma aula de um mestre...

Procura da Poesia (Carlos Drummond de Andrade)
Livro: A rosa do povo

Não faças versos sobre acontecimentos.
Não há criação nem morte perante a poesia.
Diante dela, a vida é um sol estático,
não aquece nem ilumina.
As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não contam.
Não faças poesia com o corpo,
esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso à efusão lírica.

Tua gota de bile, tua careta de gozo ou dor no escuro
são indiferentes.
Não me reveles teus sentimentos,
que se prevalecem de equívoco e tentam a longa viagem.
O que pensas e sentes, isso ainda não é poesia.

Não cantes tua cidade, deixa-a em paz.
O canto não é o movimento das máquinas nem o segredo das casas.
Não é música ouvida de passagem, rumor do mar nas ruas junto à linha de espuma.

O canto não é a natureza
nem os homens em sociedade.
Para ele, chuva e noite, fadiga e esperança nada significam.
A poesia (não tires poesia das coisas)
elide sujeito e objeto.

Não dramatizes, não invoques,
não indagues. Não percas tempo em mentir.
Não te aborreças.
Teu iate de marfim, teu sapato de diamante,
vossas mazurcas e abusões, vossos esqueletos de família
desaparecem na curva do tempo, é algo imprestável.

Não recomponhas
tua sepultada e merencória infância.
Não osciles entre o espelho e a
memória em dissipação.
Que se dissipou, não era poesia.
Que se partiu, cristal não era.

Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.

Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.
Tem paciência, se obscuros. Calma, se te provocam.
Espera que cada um se realize e consume
com seu poder de palavra
e seu poder de silêncio.
Não forces o poema a desprender-se do limbo.
Não colhas no chão o poema que se perdeu.
Não adules o poema. Aceita-o
como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada
no espaço.

Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível que lhe deres:
Trouxeste a chave?

Repara:
ermas de melodia e conceito elas se refugiaram na noite, as palavras.
Ainda úmidas e impregnadas de sono,
rolam num rio difícil e se transformam em desprezo.

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

VAMOS NOS PERMITIR


Quando penso nas restrições que nós mesmos criamos,
Nas regras e imposições que nos prejudicam,
Tenho ânsia de arrancar isso de dentro de mim,
Como se fosse uma simples pecinha de “Lego”.

E quero superar...
Mudar !
Quero ser mais livre para a vida
Menos angustiada com cobranças
Mais leve para sorrisos

Para que eu possa amar
Para que eu possa rir
Para que eu possa viver

sexta-feira, 20 de julho de 2007


“Esquecemos o valor de estar em paz com alguém, de aprofundar um relacionamento,
de ficar quietos lado a lado sem que isso seja um problema”.

Fonte: Deitando no divã para aprender a amar. Juliana Dacoregio
http://www.doqueelasgostam.com.br/artigos

Hoje quando li essa frase fiquei tão surpresa de como não valorizamos o que deveríamos.
Perdemos tanto tempo com ciúmes, estética, o que ele falou ou deixou de falar.
E esquecemos do mais importante, o sentir...a verdade do amor...

Uma boa semana a todos